
Granola? Não, granola, não. Ela não curte granola. Mas eu queria tanto uma granolinha hoje.
“Você quer granola?”, pergunto, todo corajoso.
“Eu odeio granola.”
Eu sabia, claro que sabia, mas eu só queria ter certeza ou pelo menos mostrar que eu me importo com o fato de que ela não gosta de granola e, por isso, eu pergunto se ela quer, quando, na verdade, sou eu que quero. É pura cortesia.
“E aí? Sobremesa?”, ela diz, meio empolgada. Quer sobremesa, claro que quer. Mas a pergunta é só pra saber se a vontade dela por sobremesa vai atropelar a minha vontade de emagrecer três quilos em duas semanas. E é claro que vai, mas tudo bem. Eu até quero um docinho hoje. Só pra ver se equilibra esse azedume dela. Eu digo, já sabendo qual será a resposta:
“Ok, escolhe aí.”
“Não, escolhe você!”
Não, eu não quero escolher. Eu quero que escolham. Esse é o tipo de homem que você tem na mão. Aproveita. Ou se decepcione de vez. Mulher nenhuma gosta de um cara que não sabe escolher as coisas no supermercado. Elas automaticamente perdem o respeito. E é isso que está acontecendo agora. Olha aí o respeito saindo pelos olhos de desprezo dela. Esses olhos lindos. Apertados. Tão belos, mesmo quando me desprezam. Mesmo aqui, neste lugar horroroso. Nesta luz fria. Piscante. Eu pego um torrone. Eu sei que ela não gosta muito, mas é um jeito ensaiado pra que ela escolha alguma coisa que só ela queira. Diante disso, ela pega uma barra de chocolate. Claro. As gôndolas do supermercado estão chatas. Sempre as mesmas. Com as mesmas coisas. A vida é assim. Mesma em cima de mesma. Minha mente foca num produto de cada vez, sem muito pensar em nada. Vida mais ou menos. Eu quero fazer montanhismo. Mas aqui no mercado não dá. Eu quero ir pro Tibete. Ela vira pra mim e pergunta:
“Você acha que a gente já se viu alguma vez antes de se conhecer?”
“Não, não; eu não acho: eu tenho certeza que a gente nunca se viu antes da gente se conhecer.”
“Por quê?”
“Não tem como esquecer do seu rosto, amor. Eu lembraria.”
Essas minhas falsas certezas. Certezas que eu finjo ter só pra criar uma segurança nela. E como são falsas certezas, a segurança provavelmente é falsa também. Ok, depois eu penso nisso. Por enquanto deixa assim. É claro que eu não esqueceria o rosto dela, a verdade é essa. Eu posso não ter certeza, mas eu acho que sim. Pode ser sem certeza, mas é a verdade. Ela fica satisfeita com a resposta. Ou finge que fica e dá uma risada, suave, como sempre, e me pergunta:
“E você, não vai pegar granola, não?”
(Vaner Micalopulos)
Só posso te devorar
se eu não deixar
o silêncio me cegar
Só te devoro
enquanto te olho
sem você saber
Pois meus olhos
guardam meus segredos
quando olho pra você.
(Source: coagulo, via crescerprapassarinho)
O que sempre se falou dos brasileiros? Pobres, mas criativos. Os reis do “jeitinho”. A criatividade e o “jeitinho” saíram às ruas, viraram cartazes, vozes, passos largos por avenidas cheias de prédios, carros e lojas, mas vazias, até então, de ideias.
O brasileiro, sempre criativo, saiu dos facebook, e essa foi uma das criatividades mais elogiadas. O brasileiro, “pobre, mas alegre”, fez contas e contas para entender até onde se vai vinte centavos. O brasileiro, “alienado, mas bom de samba”, soube usar a música da vez e pedir: “vem pra rua, vem”. O brasileiro, “ruim de educação, mas bom de futebol”, resolveu fazer o mais belo gol. Os tais vinte centavos foram apenas o passe perfeito, o cruzamento que faltava alguém acertar. E se fez o gol… E vai se fazendo uma goleada de 15, 30, 100 mil pessoas. Esses 100 mil sabem quem os representa, mas sabem mais ainda quem não os representa.
O brasileiro, criativo que só ele, reinventou sua bandeira e entendeu que “progresso” é muito mais do que uma palavra bordada. Aprendeu que o hino é para ser praticado muito mais do que simplesmente cantado. O brasileiro, “burrinho, mas simpático”, resolveu pedir educação, saúde, segurança e até vem entendendo de inflação.
O Brasil, país feito para turista ver, tem um novo carnaval, e ele cheia a vinagre com muito orgulho.
"(Source: camilacosta, via 1milhogrande)
The Evolution of Marilyn Monroe.
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